O efeito cordilheira da América do Sul

América do Sul

Em boa parte do continente é inverno no meio do ano. As baixas temperaturas são a atração principal dos lagos andinos e das estações de esqui de Vale Nevado, no Chile, e Bariloche, na Argentina, por exemplo.

É fato que o ar frio é excelente para voar, uma vez que as moléculas tendem a se agrupar em temperaturas baixas, tornando a atmosfera mais densa. Porém, a altitude do aeródromo tem que ser considerada nesta equação, uma vez que a pressão atmosférica é inversamente proporcional à elevação do terreno.

Assim, quanto menor a pressão, mais rarefeito é o ar, o que normalmente acaba sendo amenizado pela queda de temperatura à medida que ganhamos altitude. Neste aspecto, as pistas de Puerto Montt (SCTE), Santiago (SCEL) e Bariloche (SAZS), com 295 ft, 1.555 ft e 2.776 ft de elevação, respectivamente, não oferecem muitos problemas.

No entanto, a Cordilheira dos Andes, a mais extensa cadeia de montanhas do planeta, com 8.000 km, estendendo-se por sete países, apresenta-se como um óbice que não pode ser desprezado.

Com altitude média de 4.000 m (e ponto culminante de quase 7.000 m), além atingir 160 km de largura nos trechos mais largos, serve de barreira natural para os ventos de oeste vindos da costa do Pacífico.

Por outro lado, a turbulência orográfica (típica do topo de relevos) influencia sensivelmente no voo de aeronaves que se aproximam da famosa cordilheira. Para fechar a conta, não despreze eventuais nevoeiros pós-frontais, aqueles típicos da madrugada e inicio da manhã.

Como sabemos, no inverno as frentes frias costumam se enfileirar em média a cada cinco dias, sempre vindo do extremo sul do continente, no sentido sudoeste-nordeste.

De acordo com o experiente meteorologista Fernando Marinho, há 30 anos trabalhando no Centro Meteorológico do Galeão, instrutor de meteorologia aeronáutica e também piloto privado, nesta época do ano é preciso ter muita atenção com as correntes de jato atuantes entre os FL250 e 350, sobretudo no trecho entre Buenos Aires e Santiago.

“Ao sul do continente, ventos fortes à superfície vindos da Patagônia são muito comuns e é preciso redobrar a atenção nos procedimentos de pousos e decolagens”, diz.

O previsor recorda que a região é crítica para a ocorrência de turbulência e relembrou o famoso acidente como voo Força Aérea Uruguaia 571, em 1972, quando um bimotor turbo-hélice Fairchild FH-227D realizava procedimento de navegação estimada sobrevoando a cordilheira, quando sofreu com a turbulência orográfica, caindo numa região de difícil acesso da província de Mendoza, chamada Vale das Lágrimas.

De maneira improvável, o trágico evento teve 16 sobreviventes e deu origem a vários livros e sete filmes sobre o tema.

 

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